Nesta seção você encontrará textos que abordam as implicações éticas da maneira como os animais que vivem na natureza são prejudicados por processos naturais. Temos obrigações em relação a essa situação? Quais seriam? O quão fortes seriam? O que já vem sendo feito para ajudá-los? O que mais poderia ser feito? Tudo isso é discutido nos textos a seguir.

Foto por: Arthur Goldstein. Site: Unsplash.com

Até pouco tempo atrás quase todo o debate sobre a consideração dos animais girava em torno da exploração animal. Entretanto, um número crescente de autores vêm apontando que a maneira como os processos naturais afetam os animais na natureza é também um problema gravíssimo que merece nossa atenção. No texto a seguir são explicados os fundamentos dessa preocupação.

O que fazer em relação aos animais que vivem na natureza?


Uma visão comum é a de que, se os humanos pararem de prejudicar os animais selvagens, normalmente eles terão vidas satisfatórias. “Deixemos a natureza seguir o seu curso e tudo ficará bem para os animais” é que diz essa visão. O texto a seguir explica por que essa visão é equivocada, listando as diversas maneiras pelas quais os animais já são gravemente prejudicados por processos que são totalmente independentes de ação humana.

Como os processos naturais tipicamente afetam os animais selvagens?


Por vezes é defendido que a quantidade de animais selvagens que sofre por conta de processos naturais não é tão grande quanto parece porque muitos ovos são destruídos antes de formarem seres sencientes e porque na idade em que tipicamente morrem tais animais não seriam muito capazes de sofrer. Serão verdadeiras essas alegações? Se forem, elas mostram que a situação dos animais selvagens em decorrência dos processos naturais não é tão importante? Esse é o tema do texto a seguir.

Animais na natureza: o sofrimento não é tão grande quanto parece?


Por vezes a proposta de ajudar os animais selvagens que são vítimas de processos naturais é acusada de ser arrogante por envolver intervir na natureza ou por influenciar o destino daqueles animais. O texto a seguir lista alguns problemas com esse tipo de acusação:

A proposta de ajudar os animais selvagens é arrogante?


A proposta de ajudar os animais selvagens que são vítimas de processos naturais por vezes é acusada de ser antropocêntrica. Estaria tal proposta a impor valores humanos para os animais? Estaria humanizando os animais, pensando que eles compartilham de valores exclusivamente humanos? Ela se torna antropocêntrica porque foi planejada e seria conduzida por humanos? O texto a seguir explica por que a proposta de ajudar os animais selvagens não é antropocêntrica nem humaniza os animais.

A proposta de ajudar os animais selvagens é antropocêntrica?


Uma objeção à proposta de ajudar os animais selvagens que são vítimas de processos naturais defende que, quanto menos influência humana no mundo, melhor para os animais. Outra objeção relacionada defende que, quanto menos influência humana no mundo, melhor (mesmo que o resultado seja pior para os animais). O texto a seguir discute ambas as objeções.

Quanto menos influência humana no mundo, melhor?


A proposta de ajudar os animais selvagens que são vítimas de processos naturais viola a liberdade deles? Ou será que não influencia no seu grau de liberdade? Ou ainda, será que é ela que poderia garantir que os animais exerçam sua liberdade? Há casos onde diminuir o seu sofrimento conflita com sua liberdade? Como investigar, nesses casos, o que os animais valorizariam em maior grau? Todas essas questões são discutidas no texto a seguir.

A proposta de ajudar os animais selvagens viola a liberdade deles?


A proposta de ajudar os animais selvagens que são vítimas de processos naturais enxerga os humanos como separados da natureza? Ou será que é a visão contrária aos humanos intervirem no que é natural que vê os humanos como separados da natureza? Essa questão é o tema do texto a seguir:

A proposta de ajudar os animais vê os humanos como separados da natureza?


Uma objeção à proposta de ajudar os animais selvagens que são vítimas de processos naturais afirma que não há razões para ajudá-los porque a natureza não é boa nem má, pois não é uma pessoa. Será que isso faz com que não tenhamos razões para ajudar os animais selvagens que são vítimas de processos naturais? Esse é o tema do texto a seguir:

Se a natureza não é má, por que ajudar os animais vítimas de processos naturais?


Uma objeção à proposta de ajudar os animais selvagens que são vítimas de processos naturais aponta que sofrimento e mortes decorrentes de processos naturais existem desde que o mundo é mundo, e que os ecossistemas surgem e desaparecem com total indiferença ao sofrimento dos animais. Será que essa constatação mostra que não devemos ajudar os animais selvagens que são vítimas de processos naturais? Ou isso envolveria um salto injustificado de uma descrição sobre como as coisas são para uma conclusão sobre como elas deveriam ser? Esse é o tema do texto a seguir.

Se a natureza é indiferente ao sofrimento dos animais, por que ajudá-los?


Por vezes é defendido que o respeito pela natureza dos animais selvagens requer largá-los à própria sorte, e que por isso não deveríamos ajudá-los quando vítimas de processos naturais. Mas, será que o respeito pela natureza dos animais selvagens requer largá-los à própria sorte? E será que deveríamos respeitar a natureza de um ser ou deveríamos simplesmente agir de buscando que ele seja beneficiado e evitando de prejudicá-lo? Largar os animais selvagens à própria sorte seria melhor para os próprios animais? Essas questões e outras relacionadas são discutidas no texto a seguir.

Respeitar a natureza dos animais selvagens requer largá-los à própria sorte?


Uma das objeções mais frequentes à proposta de ajudar os animais selvagens que são vítimas de processos naturais é a alegação de que ela implicaria em intervir em conflitos entre animais (como em casos de parasitismo ou predação) e que isso seria absurdo. Será que a proposta de ajudar os animais selvagens sempre prescreveria intervir em tais conflitos? Se intervir em tais conflitos é absurdo, seria porque fazê-lo poderia causar mais sofrimento e mortes do que previne? Será que toda e qualquer intervenção em tais conflitos causaria mais sofrimento e mortes do que previne? Ou será possível fundamentar que intervir em tais conflitos é errado independentemente das consequências? Se for, como compatibilizar isso com a crença comum de que intervir em tais conflitos é sempre certo quando os humanos são vítimas de parasitas ou predadores? Não seria especista tal disparidade? Essas questões e outras relacionadas são discutidas no texto a seguir:

Não é absurdo intervir em conflitos entre animais?


Quais áreas devem responder o que fazer em relação aos animais selvagens? Será essa uma questão para as áreas da ética e da teoria do valor? Ou será uma questão para áreas como a biologia, mais especificamente a ecologia? O texto a seguir defende que cada uma dessas áreas tem o seu papel em responder a essa questão, mas que são papéis específicos, pois algumas dessas áreas dizem respeito a fundamentar quais metas deveríamos buscar, enquanto outras visam descrever como o mundo é. O texto a seguir explica esses papeis em mais detalhes e aponta que frequentemente tais papeis são confundidos.

Quais áreas devem responder o que fazer em relação aos animais selvagens?


A consideração pelos animais e o ambientalismo estão fundados em ideais opostos. A primeira é fundada na consideração por seres sencientes e o segundo defende que há valor intrínseco em entidades não sencientes como espécies ou ecossistemas. A proposta de ajudar os animais selvagens que são vítimas de processos naturais sempre conflitaria com ideais ambientalistas? Ou será que em muitos casos não haveria conflito? Haveria casos onde ajudar os animais selvagens realizaria ambos os ideais? Nos casos em que ambos os ideais conflitariam, como decidir? Essas questões são discutidas no texto a seguir.

Ambientalistas devem se opor à ajuda aos animais selvagens?


Por vezes a proposta de ajudar os animais selvagens que são vítimas de processos naturais é rejeitada com base na alegação de que somos moralmente responsáveis apenas por práticas humanas. Se formos moralmente responsáveis apenas por práticas humanas, devemos rejeitar a proposta de ajudar os animais selvagens que são vítimas de processos naturais? Será verdade que somos moralmente responsáveis apenas por práticas humanas? Seremos responsáveis por práticas humanas em maior grau? Ou será que a origem do dano não é relevante para o nosso grau de responsabilidade moral? Essas questões são discutidas no texto a seguir.

Somos moralmente responsáveis apenas por práticas humanas?


Uma objeção à proposta de ajudar os animais selvagens que são vítimas de processos naturais defende que deveríamos rejeitá-la porque ela, por salvar indivíduos que morreriam naturalmente, impediria que os genes mais adaptados prevalecessem. Será justificável a preocupação em fazer com que os genes mais adaptados prevaleçam? Se sim, no que ela poderia estar fundada? Se ela for justificável, ela fundamentaria que é errado ajudar vítimas de processos naturais?  Essas questões são discutidas no texto a seguir.

Ajudar os animais impediria que os genes mais adaptados prevalecessem?


Uma das objeções mais frequentes à proposta de ajudar os animais selvagens que são vítimas de processos naturais aponta que a complexidade dos ecossistemas torna difícil prever as consequências, e que então poderíamos tornar as coisas ainda piores ao tentarmos ajudar. Será que essa preocupação implica em rejeitar a proposta de ajudar os animais selvagens? Ou será que implica em pesquisar mais a fundo sobre como estimar as prováveis consequências? Essas questões são discutidas no texto a seguir.

Ajudar os animais selvagens não poderia tornar as coisas ainda piores?


Por vezes é alegado que mesmo que consigamos ajudar muitos animais que vivem na natureza, a quantidade de vítimas é tão grande que isso ainda representaria uma porcentagem pequena do total de vítimas desse problema. Segundo essa visão, seremos mais eficientes se focarmos em problemas nos quais conseguiríamos resolver uma porcentagem maior. O texto a seguir explica por que a porcentagem não é um bom parâmetro para se medir o tamanho do benefício que poderíamos causar com certo recurso.

Nunca conseguiremos ajudar todos. Não é inútil tentar ajudar?


Uma objeção comum à proposta de ajudar os animais selvagens que são vítimas dos processos naturais alega que ela faz sentido na teoria mas que, infelizmente, não há o que se fazer na prática. Essa objeção ignora que muitas coisas já vem sendo feitas para ajudar tais animais. O texto a seguir lista algumas dessas formas de ajuda que já vem sendo conduzidas.

O que já vem sendo feito para ajudar os animais selvagens?


Várias coisas já vem sendo feitas para ajudar os animais que se encontram na natureza. Entretanto, a maior parte desses programas é motivado por ideais antropocêntricos e ambientalistas. Muito mais poderia ser feito se houvesse uma preocupação com o bem dos próprios animais. O texto a seguir explica o que é a área da biologia do bem-estar e por que o seu desenvolvimento é crucial para que sejam possíveis programas de ajuda aos animais selvagens cada vez mais seguros e eficientes.

O que mais poderia ser feito para ajudar: estabelecendo a biologia do bem-estar


Novas tecnologias tornam possíveis novas maneiras de agir. Frequentemente as tecnologias são utilizadas para prejudicar os animais. Esse é o caso quando são usadas para aumentar a eficiência da exploração animal por exemplo. Entretanto, novas tecnologias também poderiam ser usadas para ajudar os animais. O texto a seguir explica como diversas novas tecnologias poderiam ser usadas para ajudar os animais que estão na natureza.

Quais tecnologias poderiam ser usadas para ajudar os animais na natureza?